Bia No Mundo: Chile

23/10/2018 Travel

A viagem para o Chile era para ser algo simples… Conhecer um país da América do Sul.

Conversando com uma amiga que ainda não tinha conhecido a neve, acabamos escolhendo ir para Santiago, afim de tentar esquiar e ela ter, finalmente, a oportunidade de ver neve. Comentei com uma outra amiga (que fez junto comigo o intercâmbio na Europa) e ela resolveu se juntar! Resultado:eu e mais duas meninas, que não se conheciam, resolvemos partir em direção ao Chile, com a missão de subirmos o vulcão Osorno!

As passagens foram compradas em Março de 2016, mas fomos em Agosto. Foram 5 meses tentando planejar e fazer o roteiro, mas sem ter o compromisso de ficarmos presas a algo muito fixo. Então, decidimos conhecer três cidades do país: Santiago, Pucón e Puerto Varas.

Santiago

O que não falta são lugares para conhecer. Andar a pé no centro e adjacências é a melhor forma de conhecer a cidade, mas também é importante ficar perto de alguma estação de metro, porque se o cansaço bater, baste só utilizá-lo para ir direto ao hotel. Nós decidimos ficar no famoso Hostel Che Lagarto e dividimos um quarto para 8 mulheres. O ambiente era dividido em dois, de forma a serem dois quartos em um.

Como boas viajantes que somos, para economizar dinheiro, fomos em busca do free walking tour que sairia da Plaza de Armas. Ali mesmo já conhecemos importantes marcos da cidade: a própria Plaza de Armar, a Catedral Metropolitana de Santiago, o Correio Central, a Prefeitura, o Museu Histórico Nacional (entrada a 600 pesos e grátis aos domingos) e alguns monumentos, como a Estátua de Dom Pedro de Valdivia, Al Pueblo Indígena e o Odeón.

Depois seguimos em direção ao Palácio de La Moneda, a casa do atual presidente Sebastián Piñera, e um marco histórico no país, para vermos o desfile de troca da guarda que acontece sempre às 10h em dias alternados. Atenção:É possível fazer a visitação guiada da parte interna do Palácio, mas tem que ser agendado previamente (por ser de graça).

Dica: não deixe de tirar uma foto com a enorme bandeira do Chile que fica atrás ao Palácio de La Moneda.

Passando pelo Bairro Lastarria é possível encontrar uma nova geração de designers com lojinhas criativas e o Museu de Artes Visuais, o Mavi.

Já pensando no almoço, passamos pelo Pátio Bellavista para escolhermos um restaurante e matarmos nossa fome. O escolhido da vez foi o La Casa En El Aireque, vale ressaltar, tem uma comida divina, mas por um preço um tanto caro (em torno de R$ 50 por prato principal + suco de framboesa). Ah! Falando nisso, o Chile é conhecido por ser comer caro! Muito difícil encontrar algum lugar que venda comida barata…

Para relaxarmos um pouco, fomos caminhar pelo parque florestal. Um dos parques mais lindos que vi! Não parece nem um pouco com nossa Floresta da Tijuca (para moradores do Rio de Janeiro), pois é plano, com ruas de terra e árvores espalhadas. Ótimo para fazer um piquenique no verão ou sentar para ler um livro e jogar um belo papo fora. Claro que também é possível praticar uma caminhada, corrida, andar de bicicleta… E no final ainda tem o Museu Nacional de Bellas Artes, com sua imponente construção que chama atenção de longe.

E para finalizarmos o dia, eu e uma das meninas fomos para a Concha y Toro conhecer a vinícola e provar os vinhos! Tivemos que agendar previamente o dia e o horário da visita. Infelizmente esse tourse paga e, por isso, optamos pelo mais barato, mas que dá direito a visitar as parreiras de uvas que, infelizmente, por ser inverno, não tinha nada. A parte boa: ganhamos taças e pudemos provar alguns vinhos!!

2º DIA

Embarcamos bem cedo com uma agência de turismo para Embase El Yeso, uma represa feita a 2.500 metros sobre o nível do mar, sendo a paisagem mais famosa de Cajon Del Maipo, localizados nos Andes.

Em 2016 (época que fomos) foi um ano atípico, pois quase não nevou. Ficamos basicamente tirando foto e conhecendo o local, já que demorou muito para chegarmos lá! A agência ofereceu um piquenique nas margens da represa, o que é bem comum no verão para os chilenos.

Como a volta acabou sendo cedo, conseguimos ir no Cerro Santa Lucía, que fica próximo à estação de metrô Santa Lucía. O local é conhecido por ser onde a cidade de Santiago foi fundada. É gratuita a entrada, mas pedem para assinarmos um livro de visitas, além do fôlego necessário para subir as escadas e rampas. O Cerro também é ótimo para ficar descansando, ler um livro.

Entretanto, ao começar escurecer, não é recomendável permanecer por ali. Tem-se que aproveitar a luz do dia para observar a cidade!

3º DIA

Pegamos um ônibus na rodoviária e fomos para Viña del Mar. Como chegamos um pouco mais tarde do que previsto, perdemos o horário do free walking toure não conseguimos achar mais o grupo. Então decidimos pegar um mapa da cidade e procurar os principais pontos históricos, onde a primeira parada foi o famoso Relógio de Flores.

Como não sabíamos muito sobre a cidade, saímos andando pela calçada que tem vista para o mar (apesar do vento frio que atravessava nossos casacos). Viña del Maré uma cidade encantadora que mistura modernos edifícios com praias e áreas verdes. Apesar der termos ficado apenas metade de um dia, dizem que a diversão é garantida, com museus e o Casino Municipal.

Como não tínhamos muito o que fazer e estávamos um pouco perdidas, resolvermos pegar o metrô e ir para Valparaíso, cidade Patrimônio da Humanidade. A estação de metrô é bem completinha com alguns restaurantes para almoçar ou fazer um lanche. O legal é que o porto da cidade é bem no centro, ao lado da estação de metrô. E, dessa vez, conseguimos encontrar o pessoal do free walking tour.

É comum as pessoas morarem em Viña Del Mar e trabalhar na cidade de Valparaíso, até pelo que cada uma oferece.

Como a cidade foi construída no morro, existem diversos elevadores ao redor, que ajudam na locomoção. É bem cansativo andar por aqui, então é bom ter preparo físico e um bom tênis!

4º DIA

Nosso tão esperado encontro com a neve!

Fechamos com uma empresa o passeio para Valle Nevadocom direito ao transporte de ida e volta, roupas apropriadas e os equipamentos. Saímos muito cedo do hostel e, por isso, tivemos que preparar sanduíches para levarmos. Vale ressaltar que os equipamentos são bem pesados, mas não achei que fazia tanto frio quanto falam…

Ao atingirmos quase 2000 metros de altitude, paramos para tomarmos um chá de coca, já que algumas pessoas estavam enjoadas e tontas com a subida.

Dica: O mais difícil é carregar o pé de esqui, que pesa muito e eu não tive jeito para o carregar também. Para quem não sabe, a neve reflete o sol e usar óculos ajuda muito a proteger a vista. Ou seja, usem protetor solar no rosto, pois queima!

No pacote também estava incluso aula para iniciante, então tivemos as lições básicas para aprender a ficar em pé, a se mover e como cair! Muitas pessoas preferem se hospedar diretamente no Valle Nevado para aproveitar ao máximo a estadia, mas é bem caro e, para se chegar até lá, o carro tem que ter corrente nas rodas para conseguir passar na neve que se acumula na estrada. A título de curiosidade:é comum as escolas particulares terem aulas de esqui e levar os alunos para treinos. As crianças dão um banho na gente!

Como saímos cedo do Valle Nevado (a estação não fecha tarde pois escurece cedo no inverno), deu tempo de irmos no prédio mais alto da América Latina, o Sky Constanera, com 61 andares. Conseguimos chegar a tempo de pegar o pôr-do-sol e ver como a cidade é grande e engarrafada! Nada muito diferente de São Paulo. Ah, a vista é 360º da cidade.

Impossível não se apaixonar por Santiago! E eles adoram um brasileiro, não é à toa que a primeira música que ouvimos foi da… Anitta!

5º DIA

Era nosso último dia na cidade e íamos pegar um ônibus para descer o país, com destino a Pucón. Então, antes de partir, aproveitamos para fazer a visita ao Palácio de La Moneda. A visita é guiada e precisa ser marcada com antecedência, o que fizemos antes de viajar. Nem todos os lugares é permitido fotografar, mas a guia avisa quando é possível ou não tirar fotos.

Como sobrou um pouco de tempo e tínhamos que almoçar, demos uma última volta no Parque Florestal de Santiago, que é muito lindo! Vale muito andar por lá e não nos sentimos inseguras em nenhum momento. É bastante movimentado durante o dia. Ah! E conhecemos também o zoológico, com lhamas que uma amiga tanta ama.

Para chegar até o zoológico, é preciso pegar um funicular, que nada mais é que um elevador, mas que sobe e desce me diagonal. Lembro que não é nada barato…

O zoológico é bem grande, tem um anfiteatro onde há apresentações e um espaço para caminhar e apreciar a vista de cima da cidade.

Recomendo ir no inverno, que apesar do frio, é possível ver a neve e se divertir bastante. Durante o dia usei uma blusa de manga comprida, o cachecol, e, às vezes, um casaco. De manhã cedo e a noite, a temperatura cai bastante, nos obrigando a usar um casaco mais quente. Andei sempre de bota e tênis, até para não machucar o pé de tanto andar.

Tente experimentar a comida local. Eu amei tomar a bebida Pisco Sour, que é como se fosse nossa caipirinha. É uma bebida feita a partir do licor pisco. Mas este eu já não gostei muito, mesmo misturando com a coca-cola, como eles gostam de beber.

O Chile é a terra da framboesa, então prove tudo que tenha framboesa!

Dica: quando for se locomover de metrô, fique esperto na hora, pois a tarifa muda de acordo com a hora! No horário de rush, por exemplo, fica mais caro. Para os estudantes, tente tirar a carteirinha internacional de estudante por conta da meia entrada em diversos lugares…  Realmente ajuda no bolso! E ah! Pesquise com as agências sobre os passeios e barganhe, principalmente se estiver em grupo.

Pucón: Vale a pena conhecer?

A cidade de Pucón é extremamente encantadora! Sabem aquelas vilazinhas pequeninas que tem próximo a vulcão, igual filme norte-americano? Pois então, exatamente o que você achará aqui! É uma cidade situada ao sul de Santiago, numa região chamada Araucanía, cercada pelo vulcão Villarica, principal atração na cidade. Ele é considerado ativo, já que a última erupção data de março de 2015. Tanto no inverno quanto no verão atrai diversos turistas pela quantidade de esportes ao ar livre que se pode praticar.

Mas como chegamos lá? Saímos de Santiago de ônibus e levamos em torno de 12 horas, sem paradas. Compramos a passagem alguns dias antes para garantir nossos assentos. Minhas amigas e eu lemos muitos relatos de pessoas que deixavam as malas do bagageiro e, quando iam retirá-las, elas não estavam mais lá (já que o controle dos fiscais não é muito eficiente). Como íamos de noite, ficamos com medo de algo acontecer com nossas lindas malas, então resolvemos encaixá-las no lugar onde deveria estar os nossos pés… E acabei indo um pouco torta! Mas, o que importa é que deu tudo certo! Como o deslocamento por estradas é muito comum no país, até por se tratar de uma longa viagem, houve um revezamento entre 3 motoristas,  fora que o ônibus não poderia passar de 100km/h.

Dica: Três principais empresas fazem esse percurso: TurbusJAC Bus e Pullman. Os preços das passagens tem interferência do governo, ou seja, tem um preço máximo, mas em época de feriado e finais de semana sofrem alterações. No final, as empresas são todas iguais, mas os ônibus da Turbus passam a imagem de serem mais novos. Existe a possibilidade de ir de avião, mas o aeroporto mais próximo, Temuco, fica a 120km de distância de Pucón. Entretanto, ainda teria que pegar um táxi ou ônibus para chegar ao destino final, o que, na minha opinião, fica um pouco fora de mão e pode sair mais caro.

1º DIA

Como chegamos bem cedo na cidade, resolvemos deixar nossas malas no albergue, tomar café em algum lugar e dar uma volta na cidade. Nós ficamos hospedadas no Hostel Willhouse, localizado de frente para o Lago Villarica. O albergue é todo de madeira por fora e demos a sorte de termos o quarto para nós três, já que era um pouco apertado. Infelizmente não estava incluído café da manhã e os banheiros ficam do lado de fora, inclusive, tem um fora da casa principal, já que existem quartos independentes no jardim. Mas, tirando isso, adoramos ficar lá, fomos bem recepcionadas.

Como a cidade é bem pequena, não tem muita loja para entrar, até porque o horário deles de funcionamento é curto. Nesses 3 dias que ficamos em Pucón estava bastante frio, o que fez com que andássemos pouco pela cidade. Nós acabamos fechando com uma empresa (infelizmente não lembro o nome, mas lembro ser de esquina, na cor laranja) todos os passeios que queríamos fazer. Para aproveitar o dia, a tarde nós conhecemos o Parque Nacional Huerquehue, caminhando entre suas trilhas e nos apaixonando por cada lago que aparecia pela frente! Fiquei impressionada como no sul do Chile a maioria dos lagos que ficam em parques tem a água cristalina, com uma cor verde clara linda!

Chovia no dia, então o Lago de Cabuga, que fica no parque, estava com um ar triste.

Para relaxarmos, aproveitamos uma terma, que é muito comum no Chile. E vou dizer, é maravilhoso! Existem termas de vários preços e a nossa escolhida tinha um preço médio, fornecendo toalha e armário para guardarmos as coisas. Ah! Vale lembrar que não pode mergulhar nem molhar a cabeça dentro da sauna! Existe uma sauna fechada e outra aberta. O ruim é ter que sair depois e encarar o frio…

2º DIA

Foi o dia de realizarmos nosso objetivo: subir o vulcão Villarica! Ou melhor, TENTAR! AHAHAHA.

Nós literalmente madrugamos para poder começar a aventura. E estávamos com roupa especial (dentro do pacote), óculos de sol, protetor solar e labial, cachecol, touca, água e comida leve para durar o dia todo (recomendo levar barra de cereal e chocolate, nada de comida pesada ou gordurosa). Vale lembrar que cada um leva seu equipamento e sua mochila e o percurso possui cerca de 5 horas de subida. Por isso a necessidade de madrugar, para que o sol não vire um vilão durante a descida.

Como fomos no inverno, pagamos 10.000 pesos chilenos para fazer a primeira parte do percurso de cadeira até a estação de esqui. Recomendo coçar o bolso, pois quando você está sentada no alto e vê o que teria que andar, agradecerá  cada peso pago! Então, nossa caminhada começou na estação de esqui.

Eu pensei que a subida seria em linha reta, mas não! A gente vai literalmente zigue-zagueando o vulcão e, em certas partes, é preciso colocar as garras na bota para conseguir pisar, já que a neve pode congelar e fica impossível andar sem elas. No verão é mais fácil subir, pois o teleférico funciona até a metade do vulcão, o que economiza esforço. Além disso, como não tem neve, o chão é de terra e pedra, o que facilita muito a subida. O lado negativo é que a vista é mais linda com neve, né?!

No total éramos 5, mas como não conseguimos passar da metade do vulcão, nos dividimos em dois grupos e o outro grupo chegou ao topo. Eu fiquei muito feliz em ter chegado na metade… Desafio grande!

A vista recompensou qualquer esforço. Lembro que fiquei um bom tempo sentada admirando sem conseguir dizer em palavras o que eu estava sentindo naquele momento.

Aí você me pergunta: como faz para descer? Pois é, não podemos voltar caminhando, então voltamos literalmente de esquibunda! Mas dá muito medo, porque tem que frear a todo momento e tínhamos que seguir a marca do guia para não deslizarmos para o lugar errado… Nem conseguimos filmar nossa descida! No fim, pudemos ir caminhando, tendo cuidado com os snowboarders. E a nossa recompensa de ter voltado mais cedo foi ficar brincando na neve!

Voltamos com um pouco de luz do dia para a cidade, então aproveitamos para dar mais uma volta.

3º DIA

Nosso último dia na cidade. Como é pequena, nós andamos pelas mesmas praças todos os dias, só com a mudança da luz do sol. Tentamos achar qualquer lembrancinha ou doce típico para trazermos. Porém, o que de linda tem a cidade, ela tem de cara!

Ainda deu tempo de sermos mais um pouco radical e fazer um rafting leve. Foi maravilhoso e no pacote ainda conseguimos os vídeos que foram gravados durante a descida.

Ficamos apenas 3 dias em Pucón, mas foi tempo suficiente para conhecer a cidade e se apaixonar por ela! No verão, tudo é mais cheio, já que os chilenos aproveitam para “pegar uma praia” (como dizem os cariocas) no lago que rodeia a cidade.

Comentários

Nenhum comentário foi publicado para este post. Seja o primeiro a comentar...

SIGA-ME NO INSTAGRAM PARA SABER POR ONDE ESTOU

PARCEIROS

Me mande boas energias
contato@before30project.com